A carta enviada pela entidade ao governador de Santa Catarina no dia 11 de dezembro de 2008, com uma radiografia completa das causas e consequências da tragédia do último mês de novembro; e sugestões para uma reconstrução sustentável, com soluções para não repetir os erros do passado chamaram a sua atenção.
- Ela contém as premissas para um desenvolvimento sem destruir a natureza; tem a visão das causas, das conseqüências e apresenta soluções; bate, em linhas gerais com a visão dos ecologistas - observa Bacca.
A ação predadora do homem sobre o meio ambiente é inconsciente, no seu entendimento:
- É cultural. Tratamos a natureza como inimiga a ser domada, ao invés de respeitá-la
Mas, conforme observa, através das tragédias, o meio ambiente dá as suas respostas.
Disse que muitas lições ainda não foram assimiladas pelo poder público em relação à de novembro último.
Cita, por exemplo a dragagem dos rios que segundo ele está sendo feita de maneira inadequada:
- É apenas um quebra galho emergencial o que seria válido, mas jamais como solução.
Observa que os ribeirões estão assoreados, em grande parte por causa dos aterros feitos ao longo dos anos. E que o trabalho após tragédia concentra-se apenas no alargamento dos ribeirões.
- Eles permanecem assoreados. Tiraram o material e jogaram para os lados, ficou uma cessão de vazão mais estreita - detalha.
Bacca alerta ainda que Blumenau precisa urgentemente de um mínimo de fiscalização nos morros, principalmente no tocante à drenagens e canalização, para fazer com que as águas da chuva venham para a via pública.
- Senão vão ocupar novamente as fissuras, vão arrebentar os morros e as avalanches virão novamente abaixo - alerta.
Código Ambiental
Sobre o código ambiental catarinense Bacca questiona:
- O que há por trás de tudo isso? Por que, nos meios governamentais, tem se insistido tanto na tese de que as leis ambientais estão atrapalhandoo progresso? Os países mais desenvolvidos do mundo, via de regra cumprem as leis ambientais mais rigorosamente que nós. O governador viaja para Inglaterra e volta deslumbrado com os empreendimentos turísticos bilionários de lá. Esquece que paralelo a isso, a Inglaterra conseguiu despoluir o Rio Tamisa. Eles tem empreendimentos bilionários mas aplicam as leis ambientais, e conseguem controlar a poluição, o uso do solo e o desenvolvimento.
Bacca citou também como exemplo o Japão que é uma das maiores potencias econômicas do Planeta e tem 67 por cento de seu território coberto por floresta.
Para ele, o Código pecou por ser primário e foi pouco ouvido.
- Um assunto complexo desse não se resolve em um ano ou dois. A Assembléia brincou de ouvir a população Nas audiências públicas que participei, deram pouco espaço para as lideranças comunitárias. Uma série de sugestões não foi considerada - finalizou o ambientalista.