- Bomba relógio da ocupação irregular é acionada mais uma vez - alertava o jornal "Mutirão", na edição número 94, do mês de março, com sua manchete principal. O sub título dizia: A classe técnica está indignada: Ações equivocadas estão potencializando o risco que originou a tragédia de novembro de 2008. E o texto de apoio reforçava: Liberação de crédito para compra de materiais de construção e financiamentos esgotam as lojas. Simultaneamente, decreto municipal impede exercício da Engenharia e Arquitetura; suspende a emissão de alvarás de construção e a aprovação de projetos. No entanto, segue campanha de reconstrução: na ilegalidade, na clandestinidade, sem planejamento, sem alvará. "OS FATORES QUE ORIGINARAM A TRAGÉDIA ESTÃO SENDO POTENCIALIZADOS", reforçava a chamada de capa.
As ocorrências desta sexta e sábado (31/07 e 01/08/09) confirmam os alertas veiculadas pela Aeamvi no informativo. Uma casa, no Bairro Valparaíso ficou ameaçada de desabar, depois que um muro construído na clandestinidade e sem acompanhamento técnico - não houve fiscalização ruiu. A moradora disse que sua família não tinha para onde ir. Renuncia ir para as moradias provisórias.
Outras situações em diversas regiões do município foram idênticas. Pelo menos 15 famílias ficaram desabrigadas, porque voltaram a ocupar áreas de risco. Não houve fiscalização e nem uma oferta, pelo ´poder público de moradias aceitáveis pelos desabrigados de novembro último.
- É muito mais barato construir e dar para a população do que socorrer após um desastre - diz o presidente da Aeamvi Juliano Gonçalves - declaração na mesma edição do Mutirão. Deixa claro que se a questão habitacional fosse tratada com prioridade ao longo dos governos e com acompanhamento técnico, através de parcerias com a classe técnica, a cidade não estaria enfrentando as consequencias recorrentes por causa das ocorrências climáticas.