O drama de cinqüenta famílias que vivem em sub-moradias instaladas em área de risco no alto da Rua Coripós, no bairro Asilo em Blumenau motivou a Aeamvi para o cumprimento do artigo 1º da Lei Federal 5.194/66 que regula o exercício das profissões de Engenheiro, Arquiteto e Engenheiro-Agrônomo. Ele fala da missão social e humanitária da profissão. O engenheiro civil Arlon Tonolli e a arquiteta Ângela Ferrari (foto) foram ao local verificar a situação e ficaram surpresos com as condições em que vivem as famílias. "Existem recursos federais para esses casos, mas devido à complexidade na montagem do processo, a sua liberação se torna complicada. Dentro da nossa função institucional vamos ver o que é possível fazer", disse Tonolli após a visita. Ele disse que o poder público vai ser procurado para a formação de uma parceria com a Aeamvi, objetivando minimizar o drama das famílias.
Tonolli ficou sensibilizado com a situação ao assistir o programa "SBT Comunidade", quando o comunicador Alexandre José apresentou o drama do menino S.A.V. de 10 anos paraplégico que tem de ser levado para a escola em cadeira de rodas. Na reportagem foi mostrada a situação de sub-moradia em que ele vive com a sua família, a casa de número 155 da Rua Maestro Francisco Baungarten. O menino, a sua mãe, Maria de Fátima Cardoso, 33 anos (foto), o pai Josimar Vargas, 35 anos e mais dois irmãos, um de nove outro de oito anos vivem em uma casinha de madeira medindo 33,40 metros quadrados com o banheiro - medição conferida por Tonolli e Ângela. Maria de Fátima admitiu que o local é uma área invadida, mas explicou que ela e seu esposo compraram nessas condições, porque não tinham outra alternativa de moradia. "Estamos morando há quatro anos aqui", explicou.
"Emprego a gente sempre se ajeita. O problema aqui é moradia mesmo", declara o pedreiro Valmir Etur, 54 anos, esclarecendo que todos trabalham como pedreiro, pintor, ou carpinteiro. Na visita que realizaram à outras residências em situação de risco, Tonolli e Angela encontraram a Dona Alfredina Domingues da Luz, 60 anos (foto) que logo reagiu: "Já apareceu um monte de gente aqui e ninguém fez nada até agora". Ela também é trabalhadora e tenta ganhar a vida confeccionando peças de roupa para uma empresa através do sistema terceirizado. Ganha apenas vinte centavos por peça, produz em torno de dez por hora, o que lhe dá um ganho de R$ 2,00 neste período. Já Elia Aparecida da Luz, 36 anos (foto abaixo) que ajuda na facção improvisada na pequena casinha protesta: "A Defesa Civil vem aqui, nos proíbe de pregarmos um prego sequer, mas ninguém nos dá outro local para morar", disse exibindo o carnê do IPTU.
Segundo os moradores, em torno de cinquenta famílias vivem em situação de risco e estão cadastrados na Defesa Civil. Tonolli ficou de verificar a questão na prefeitura e levar o assunto para uma discussáo na próxima reuniáo da Aeamvi. "Uma das alternativas seria formarmos um convênio com a prefeitura e cada um fazer a sua parte para tirar essas famílias da condiçao de sub-moradias", disse Tonolli explicando que os engenheiros poderiam contribuir com a elaboraçao de um levantamento topográfico da região e com projetos estruturais.
Reportagem: José Carlos Goes
de de - Blumenau/SC