Um pontilhão de aço que foi usado pela antiga estrada de ferro ainda intacto entre os bairros Badenfurt, Salto Weisbach e Passo Manso vem despertando o interesse da ONG ABC Ciclovias. No último sábado (29/04/2006), seu presidente e vice Eldon Jung e Wilberto Boos levaram o engenheiro florestal André Luiz Buss para o local, com objetivo de avaliar uma viabilidade técnica de aproveitar o antigo leito da RFFSA para uma ciclovia. “Onde o trem transitou no passado, no presente poderiam passar bicicletas”, observou Jung.

Conforme o engenheiro Buss o problema esbarra na legislação municipal já que ela não permite a utilização do solo próximo rios, ribeirões e outras correntes d’água. “Mas vale a pena provocar o debate”, disse Buss. Já os integrantes da ABC Ciclovias vão levar o tema para as próximas reuniões dos conselhos municipais de meio ambiente e planejamento. O Secretário de Planejamento da Prefeitura de Blumenau Walfredo Balistieri já adianta que a utilização da antiga estrada de ferro para ciclovias é possível. “E até melhor utilizar esses espaços, porque não precisaremos alterar gabarito de ruas e realizar obras muitas vezes complicadas, dependendo do lugar. Usando o antigo leito da ferrovia os ciclistas teriam ainda como ponto positivo a segurança”, disse Balistieri. Quanto a legislação que rege a ocupação próximo aos fluxos de água, ele disse que isso também não é problema. "Uma ciclovia não é uma área construída", tranquilizou.
A idéia foi recebida com aplausos pela comunidade local. O presidente da Associação dos Moradores do Bairro Passo Manso Rolf Alfarth disse, num encontro com os integrante da ABC, que vem articulando junto ao poder público municipal a viabilização de trilhas para ciclovia e caminhada em toda a região. No encontro ficou decidido que além das discussões nos conselhos municipais, o pleito será encaminhado ao executivo municipal. “Hoje, muita gente anda de bicicleta por aqui”, disse Alfarth. Já a utilização do antigo leito da estrada de ferro que margeia o rio Itajaí-Açú, além de mais um opção de transporte e lazer, serviria também para que os ciclistas auxiliassem na preservação da mata ciliar, “tão importante para a sobrevivência do rio Itajaí-Aú”, disse Jung.
Por José Carlos Goes (Jornalista)
de de - Blumenau/SC