Por um lado a paralisação das obras de construção de casas definitivas; famílias de moradias provisórias que não suportam mais a situação nesses locais.
- Estamos aqui dentro. Não temos resposta de quando vão sair as nossas casas. Tem uns apartamentos em andamento, mas as obras mais ficam paradas do que andam. Nas outras cidades já está quase tudo pronto. Só nós que estamos aqui ainda nos abrigos - diz a diarias Cristiane na Moradia Provisória do Bairro Itoupava Seca.
- Tem muito ajuntamento, confusão. De noite muita televisão alta. A gente não consegue dormir. E eu não tenho condição de pagar aluguel agora - acrescenta Edmilson Gensi, casado e pai de três filhos, que também mora na Moradia Provisória da Itoupava Seca.
Essas e outras famílias estão destinadas à morarem num conjunto habitacional do Loteamento Libertadores no Bairro Itoupavazinha. Entretanto as obras estão paralisadas por falta de pagamento à empreiteira. O secretário Pinheiro explicou que os recursos não foram liberados pela Caixa Econômica Federal, parceira do projeto, devido à problemas de "ordem administrativa". Disse que a sua secretaria não têm arquitetos e engenheiros para agilizar os projetos.
- É uma secretaria nova e ainda estamos nos reestruturando - explicou.
Este foi mais um dos alertas da Associação dos Engenheiros e Arquitetos do Médio Vale do Itajaí (Aeamvi).
Veja o que publicou o Jornal Mutirão número 95 do mês de junho:
Mais um alerta da Aeamvi se confirma.
- Não conseguimos dormir esta noite. Vem muito vento por cima. Eu e minha filha temos bronquite e sofremos muito esta noite - disse à reportagem da RBS no início deste mês a costureira Odete Alves, abrigada na Moradia Provisória do Bairro Badenfurt.
Este tipo de situação foi prevista em matéria publicada na edição anterior do "Mutirão". O presidente da Aeamvi Juliano Gonçalves criticava a situação caótica das seis moradias provisórias em que foram depositadas 310 famílias que ficaram sem suas casas na tragédia de novembro último. Dizia ele:
- É lamentável que após todos os estudos efetuados nesta área em nossa cidade, tantos projetos existentes, tantas linhas de crédito habitacional, tantos gastos efetuados pelo poder público em áreas não essenciais, que esta seja a solução habitacional do Município. Certamente as pessoas que decidiram por isto não vão ter que submeter sua família, suas crianças a tal situação.
Além do frio, as famílias convivem com o perigo e a insegurança. No final de maio, todas as famílias da Moradia da Itoupava Seca tiveram que ser emergencialmente evacuadas por causa de um incêndio.
- Colocar pessoas em caixotes feitos de madeirite de obra, mesmo que temporariamente , não é uma situação condizente com a grandeza histórica do povo de Blumenau - reforçava na matéria Juliano. Ele questionava sobre os custos mensais com os galpões, dinheiro que poderia ser empregado no aluguel de um bom imóvel e também sobre segurança, salubridade e dignidade.
E a aposentada Vanilda Nascimento, também ouvida pela reportagem da RBS desabafava aos prantos questionando o paradeiro das doações:
- Onde estão as nossas coisas? Nesse frio a gente tem que se ajoelhar para pedir um cobertor!