Enquanto a maioria da população ficou apenas apreensiva com a cheia do Rio Itajaí Açú na última segunda-feira, os moradores da Rua 1º de Janeiro no Bairro Itoupava Norte em Blumenau viveram uma situação diferente. Eles estão no local onde a enchente começa. Com 8 metros a rua já fica interditada e com 8m50cm começa a alagar as primeiras casas.
O tintureiro Ivo Rosa, 38 que perdeu um filho de 15 anos na tragédia de novembro de 2008, é o dono de uma delas. “Toda vez que há informação de enchente, já temos nosso esquema montado para tirar as coisas”, disse enquanto carregava um sofá de volta para dentro de casa”.
Ele e outros moradores não confiam nas previsões que são anunciadas pela Defesa Civil. Sempre acrescentam um metro a mais e tomam as providências antes que as águas comecem a inundar a rua. É que a cota oficial da Defesa Civil não bate com a que acontece na realidade.
Um dos moradores mais antigos da rua, Heriberto Prubst, 54 anos, diz que os aterros indiscriminados que acontecem ao longo de toda a via são os que causam os alagamentos cada vez mais intensos a cada chuva. "A enchente hoje chega mais rápido, porque a água não tem mais os espaços que eram dela. São os aterros que acontecem sem que ninguém da prefeitura venha aqui fiscalizar", protesta.
A Rua 1º de Janeiro está localizada ao lado do Ribeirão Itoupava que represa suas águas quando sobe o nível do Itajaí-Açú. E os aterros acontecem entre a rua e o ribeirão.