No dia 9 de agosto os moradores do Loteamento Santa Rita receberam, em reunião com os representantes do poder público municipal, o comunicado oficial de que o local fora mapeado como área de risco, e que teriam que deixar suas casas. Após a análise de geólogos, a administração municipal apresentou estudos que não convenceram a comunidade local. Os administradores argumentaram que a recuperação das encostas seria de elevado custo e que a prefeitura não teria recursos para executar as obras.
- É achometria – critica o porta voz dos moradores Eduardo Freitas.
Uma semana depois, cada morador colocou na fachada de sua casa faixas de protesto.
- Se a prefeitura não tem dinheiro, ainda pagamos a conta para solucionar os problemas. Da minha casa eu não saio! – diz uma das faixas.
- Vocês querem nos colocar para morar em gaiolas? Da minha casa eu não saio – questiona outra.
Na seqüência, os moradores lotaram o plenário da Câmara. Foram pedir o apoio dos vereadores. A manifestação deu resultado.
Mais tarde, o secretário interino da Defesa Civil Edson Brunsfeld recebia em seu gabinete os representantes da comunidade e admitia a possibilidade da prefeitura aprovar projetos de contenção, desde que eles fossem custeados pela comunidade.
Para Freitas, a prefeitura tem responsabilidade sim:
- O loteamento foi devidamente aprovado. Foi por administrações anteriores? Sim. Mas quem assume não recebe apenas o bônus como é a Oktoberfest, mas também o ônus - compara ele.
Mas alheia à esta discussão, a comunidade partiu para a luta. No último sábado, com foices e facões, os moradores demarcaram as encostas do Loteamento Santa Rita para fazer um levantamento de agrimensura.
- É um levantamento topográficio planialtimétrico para permitir estudos geotécnicos na encosta que deslizou. É diferente do trabalho geológico que é mais superficial. Geologia é um estudo do tipo de solo e a geotecnia estuda como se comporta o solo - explica o engenheiro civil Arlon Tonolli, membro da diretoria da Aeamvi, que é parceira na mobilização comunitária do Santa Rita.
E nesta segunda-feira (05/10/09), os moradores contrataram o serviço de topografia. Serão desenvolvidos projetos que custarão à comunidade R$ 60 mil reais.
Para o custeio, a comunidade está mobilizada através de uma rifa com o objetivo de angariar os recursos necessários.
- Temos que ir à luta, não podemos deixar para trás uma história de sacrifícios para ter a nossa casa própria – diz a vendedora de crédito imobiliário Estelita dos Santos, que mora no loteamento com dois filhos, uma moça de 18 anos e um menino de seis.
- Deixei de fazer faculdade e cursos para economizar dinheiro e construir minha casa. Não posso deixar isso para trás – disse ela.
Para Arlon, "a mobilização da comunidade é o resultado de uma omissão da prefeitura em uma área regularmente aprovada".